Ascendo minhas idéias.
Elas alçam voo. Vão até uma cidade uma cidade alta.
Onde é fácil cair, onde se permite sonhar.
E quem sabe aposentar as decepções do coração.
Todos já foram e eu continuo observando das brechas das cortinas o mundo caminhar em passos leves.
Mas não me importo, de por hora, ser um navio ancorado nas calçadas de fluxo insano.
De pessoas apressadas, nervosas e vazias.
Flutuando no sentimento de um herói trancado olhando os retrovisores de um passado distante que nem faz tanto tempo.
Porque hoje vi o que separa.
Não são métricas. São portas. Próximas e verdes.
Coincidência ? Só quem diz é quem não traz explicação.
O tempo.
O tempo e o destino.
Que ingrato esqueceu que me deve algumas respostas.
Se não eles, quem trará?
Eu mesmo? Eu já não tenho esperança.
Caçando estrelas que se mexem. Uma caça sem fim.
Sem motivo.
Sem ter pra que.
Mas quem sabe um dias as coisas se encaixem?
Como o quebra cabeça de pedras encaixado pelo dedo de meu deus.
Num capão bem distante daqui.
Com dúvidas do tamanho de minhas dúvidas,
Eu tenho a certeza de que é do seu sorriso que preciso pra enxergar o amanhã.
Preso pela autonomia do meu silêncio.
Pela falta de coragem do não.
Pelo fraquejo de junto estar.
Em busca de uma verdade libertadora.
E sem tê-la ou não, a necessidade de renascer dentro de mim mesmo.

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