sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A Trilogia do Inexplicável e Seu Fim Platônico



Nunca escrevi por obrigação
Mas hoje, é por ela que comungo
Nunca quis parecer poético
Até sei que sôo chato
Eu só gosto de por pra fora
Não tenho pra quem partilhar minhas ideias
Vivo rodeado de pessoas que não acham a menor graça
Pessoas que não tem o compreendimento do que sou
Porque estou com elas?
Acredita que além de altura eu tenho medo da solidão?
Ela te mata aos poucos
Já vivi debaixo desse teto
Tenho certeza de que você também
Por isso não me desfaço
E com isso não posso ser eu
Só consigo me ver de verdade em um lugar
No infinito do teu colo
Onde sempre imaginei descansar meu corpo cansado
Onde imaginei me eternizar
Por que não? Se imaginar não custa?
E foi pensando nele, no teu colo
Que tomei a liberdade de criar um mundo paralelo
Sim, palpável
Onde eu posso ser eu e não ser castrado de nada
Onde eu posso criar e não ser diferente
Meu abraço te trazer calor em dias frios como o de hoje
Meu beijo, uma fogueira como motivo do teu suor no meu rosto
Nossos corpos, à admirar roupas espalhadas, sem nós, dando uma nova tendência de ornamentação
Não senti teu gosto
Cheguei longe disso
Só me aproximei do teu silêncio
Creio que nem ao menos pensamentos teus voltados para isso
E pelo contrário, eu acho que apenas te chateei
Te mostrei ser alguém digno de virar a cara num encontro causal
Pelas besteiras tantas, escritas onde a poeira jamais se deitou
Não deixaria nada, a não ser meu lápis, encima do que é teu
E o que e teu é apenas o que tu queres
Teu sei que jamais serei
Sei que não trago comigo tais qualidades
E dentro daquilo que Platão já descreveu sigo em frente
Guiado por meus pés descalços e cansados
Capazes de abandonar sem culpa ou medo tudo isso que me cerca, pelos girassóis que dão vida ao teu cabelo tomado pelo vento
Cansados de ter andado pelas milhas do tempo e da espera e nunca ter conseguido chegar pois, mísero sou diante de ti
Posso não ser o que tu sonhastes um dia pra ti mas carrego em meu coração algo bom à te acrescentar
Mas será que você precisa?
Pelo visto não de mim
Volto a pisar no chão
Minha espera não morrerá
Esperará pelo sempre essas linhas finalmente se cruzarem
Nem que seja em outra vida
Se é que não é daí que nos encontramos
Já me falaram disso
Portanto, depois de tudo
Depois de rios de palavras e letras que foram responsáveis por fluir e levar esse sentimento que não tem explicação
Depois de tentar mostrar que não te vejo como um brinquedo mas sim, como uma flor, igual a que Chico um dia, quis levar nos braços
Anda sim, não conseguir te convencer que nossos sorrisos se iluminariam ainda mais juntos
Só me resta ficar por aqui
E imaginar o toque de tuas mãos
Com um jargão derivado de um filósofo
E como últimas palavras, lhe digo com toda sinceridade que me cabe
Se escrevi sobre outros casos e acasos sobre outras pessoas, isso tudo não passou de ficção
Você foi verdade
Você foi minha calmaria nas maiores tempestades
Mesmo sem querer ou saber
Tua energia é infinita
Nas poucas vezes em que à mim te dirigiste
E neste cadafalso platônico, repito que nunca quis que minhas palavras soassem poéticas, só dou voz ao coração
Mas à quem chame escritos como esses de arte
Vai ver até seja...
Afinal, toda arte é um projeto de Amor

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