Nossas cabeças, nossas casas. É de lá que saem os pensamentos. A cada um, que ganha vida ou uma certeza, bate a porta de casa e ganham os caminhos e calçadas. As vezes retornam no meio do caminho e não chegam no destino. As vezes eles saem descalços, usam roupas leves e levam apenas o necessário, porque o que interessa é apenas seguir e ganhar vida. Outros não e enchem a mochila de objetos e sentimentos que pesam o andar e inibem todo o observar, o agir e o sentir de uma vida única, curta e simples. Nós até sabemos que não precisamos de muito, mas ainda assim, nossa mochila continua pesada. A cada cabeça, inúmeros pensamentos por segundo. Uma produção em massa. A cada medo e insegurança, um esquecimento. Logo, em alguns casos, lembramos tarde, que a vida é um presente que nos foi dado. Breve e passageiro. Em determinadas situações, queremos tanto aproveitar a areia que cai da ampulheta que deixamos tudo empoeirado. Só esquecemos de lembrar também, que os nossos pensamentos são capazes de soprar a poeira para longe. Não há nuvem cinza que fique parada para sempre encima de nossas casas. Só precisamos ter coragem para seguir outras calçadas. Calçadas que nos levarão aos quarteirões onde o tempo é bom e quem sabe até, plantar nossa casa em um outro lugar onde os pensamentos saem para andar mais leves e consistentes. A chuva que pode cair não impede de andar. Dança com ela porque as lágrimas enxugam. Cada pensamento de tua cabeça, um poema. Cada poema, um labirinto indecifrável. Os novos dias nunca serão como os que passaram. O que passou não se repetirá necessariamente. Temos sempre um dia após o outro pra provar e fazer o contrário. Todos temos nossas verdades, só não precisamos ficar engessados. Desliguemos os alarmes, guardemos as armas e deixemos o guarda-chuva em casa. Não vivemos uma guerra, vivamos uma vida. Tira aquele disco arranhado da agulha, abre a janela e ouve a melodia do novo.
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